HISTÓRIA DA ARTE -- FRANS HALS


As duas últimas grandes pinturas de Frans Hals retratam os dirigentes de uma casa de repouso para idosos pobres na cidade holandesa de Haarlem, no século XVII. Foram retratos oficialmente encomendados.
Hals, um velho de mais de oitenta anos, era um nesessitado. Na maior parte de sua vida foi endividado. Durante o inverno de 1664, ano em que começou a pintar esses quadros, conseguiu obter três carregamentos de turfa, do contrário teria morrido congelado.Aqueles que nessa obra posam para ele eram administradores desse tipo de caridade pública.
O autor registra esses fatos e depois diz explicadamente que seria incorreto ver sua pinturas qualquer crítica aos que estão posando. Não há evidência de Hals tê-los pintado num espírito de amargura. O autor considera, entretanto, notáveis obras de arte e explica por quê.
Assim ele escreve sobre as Dirigentes:

" Cada uma das mulheres nos fala da condição humana com igual impotância. Cada uma delas destaca-se com a mesma clareza contra a enorme superfície escura: contudo, estão ligadas por um firme arranjo rítmico e pelo contido padrão diagonal formado pelas cabeças e mãos. Modulação sutis dos negros profundos, luminosos contribuem para a fusão harmônica de todo e formam um contraste inesquecível com os brancos vigorosos e os tons vivos da carnadura, onde as pinceladas que se destacam atingem um pico de amplitude e froça."


O historiador de arte teme um julgamento assim direto:
" Como em tantos outros retratos de Hans, as penetrantes  caracterizações quase nos seduzem a acreditar que conhecemos os traços de personalidade e até mesmo os hábitos dos homens e mulheres retratados."

Que "sedução" é essa a respeito da qual ele escreve?  Não é nada menos do que as pinturas nos enfluenciando. Elas nos enfluenciam porque aceitamos a maneira pela qual Hals viu seus modelos. Não aceitamos isso inocentemente. Aceitamo-lo na medida em que isso corresponde à nossa própria observação das pessoas, gestos, rostos e instituições. Tal coisa é possível porque ainda vivemos numa sociedade de relações sociais e valores morais comparáveis.
E é isso precisamente que dá às pinturas sua urgência psicológica e social. É isso - e não a habilidade do artista como um " sedutor" - que nos convence de que podemos conhecer as pessoas retratadas.

Nessa confrontação, os dirigentes, homens e mulheres, olham fixo para Hals, um velho pintor sem recursos que perde sua reputação e vive da caridade pública; ele os examina com olhos de necessitado que deve, apesar disso, tentar ser objetivo, isto é, deve tentar superar sua maneira de ver como um pobre. Esse é o drama de tais pinturas. O drama de um " contraste inesquecível."

Frans Hals, nasceu em 1581, na Antúerpia, morreu em 1666 no Haarlem, de nacionalidade Belga, sua única ocupação era a pintura, sua tradição era o Barroco Neerlandês, seu maior interesse era com o naturalismo.

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