OLHARES SOBRE A MEMÓRIA

                             Monumento histórico e turismo.
O passado é aquilo que uma nação tem de mais sagrado, depois do futuro. 
Victo Hugo

A idéia de monumento tem, pelo menos, dois sentidos diferentes em nosso tempo, que nos interessam particulamentes  aqui discutir. Em primeiro lugar, o sentido de monumento deriva de seu significado em latim: "monumentum", palavra, por sua vez, derivada de "monere" (lembrar). Aqui, então, monumento é aquilo que memoriza, tráz à lembrança algo que se quer guardar, algo que é digno de memória e de co-memorar (memorizar com: no coletivo). È edificação que dá sentido a um processo educativo e revela as intenções da instituição educadora: apresenta informações essencial para que acontecimentos, ritos, crenças, saberes não sejam esquecidos.
O monumento, assim, busca tornar viva a memória de algo importante e identitário socialmente. Nesse caso, ele tem, necessariamente, como mediadores a memória construída e a história
O humanismo passa a comemorar a criatividade do homem e  sua capacidade  divina de criar. A memória, a partir desse humanismo que persiste no tempo, vai  ter, cada vez mais, mediadores não monumentais como a imprensa, a fotografia, a as "memória" eletrônicas. Livros, fotos e computadores, em tempos diversos dão  à memória novas formas de mediação cada vez mais individualizadas e individualistas, diminuindo em números a manifestação monumental tradicional, embora não tenham exterminados.
No século XVII, Charles Perrault já se encantava com a função  que o livro exercia sobre a memória, sendo instrumento de guardar aprendizados e evitar o ato de decorar. Já para R. Barthes, a fotografia tem o poder de jogar com os dois planos de memória: documenta uma história e ressucita um passado.
Mas o homem não  prescide de monumentos arquitetônicos, escultóricos e pictóricos na fundação de marcos históricos, artísticos e técnicos. Continua a construí-los e a deixa-los como documentos de seu tempo.
Memoriais, museus, arcos, obeliscos, estelas ( além de avenidas e viadutos) são construídos e demolidos para dar vazão ao ato comemorativo. Esse ato é dinâmico e valoriza a diversidade que essa dinâmica de valorações dá às edificações do homem. Destroem-se construcões para edificar outras que marcam o feito, a necessidade e a vontade humanas.

O monumento, em seu momento funador, portanto, tem função de memorizar o passado ou de informar sobre o presente. Como mediação da memória ou da história ou, simplismente, como objeto de estímulo à nossa sensibilidade astística, à nossa fome de arte, ele continua a ser construído e a desempenhar seu papel educador, exaltando o passado ou monumentalizando o presente.
Exemplos recentes em nossa história testam a vontade de destruir memórias que não são mais cultuadas, como no caso das estátuas de Lênin na ex- URSS  e os Budas gigantes no Afeganistão. Essa atitude não é nova, e um simples percorrer de olhos na história da humanidade nos revelaria outros exemplos em tempos diversos

MODERNIDADE CONSERVADORA E MODERNIDADE RENOVADORA.

A idéia moderna de "monumento histórico" surge no momento pós-Revolução Francesa, e a teoruxação sobre tombamento, reutilzação, criação de museus, realização de invenários toma força a partir do final do século XVII. No decorrer do século XIX e de quase todo o século XX até, pelo menos, os anos 1960, o ímpeto renovador que primava pela destruição de construções antigas e pela modernização dos centros urbanos foi uma tônica muito forte nos preceitos arquitetônicos e urbanísticos.
A História e os historiadores, no decorrer do século XIX, não valorizaram as edificações como formas documentais a serem lidas, para, a partir delas, se interpretar o passado. A supervalorização do documento escrito e dos fatos plíticos formadores das nações não permitiu que historiadores percebessem o universo do fazer cotidiano como objeto da história.

A metodologia desse saber buscará, cada vez mais, pesquisar sobre o contexto hitórico-social, a técnica, a cronologia, a morfologia, os materias, a gênese, a iconografia e os saberes que permitiram as construções passadas. Uma razão histórica se associa a uma razão estética e se apreseta como possibilidade de apreenção e compreensão de construção arquitetônicas, escultóricas e pictóricas de outros tempos passados.

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